Como o coaching de carreira tem ajudado os jovens a se (re)descobrirem

A pedido de uma das escolas onde eu realizo o meu programa de desenvolvimento de carreira para jovens, eu escrevi um e-book onde eu compartilho a forma de criar e educar nossos filhos. Este e-book surgiu para atender a uma necessidade muito especifica, – a de trazer o acompanhamento dos pais aos jovens que eu ajudo a direcionar suas carreiras. Um dos pilares que eu identifico na maioria dos jovens é o medo, o anseio e a angustia muito maior de frustrar seus pais do que a de si frustrarem. Porém, uma questão muito maior tem surgido, além do medo, do anseio e da angustia – é a depressão e o suicídio.

Após ocorrerem dois casos de suicídio entre alunos de um colégio particular de São Paulo, algumas escolas estão levando este assunto mais a sério e colocando nas pautas de discussões. Afinal de contas, será que dá para evitar? Existe algum sinal que pais, professores e amigos em geral podem identificar? Como conversar com nosso filho se eu acho que ele está mal? Como conversar se ele é colega de alguém que se suicidou?

Após pesquisar e ler sobre este tema em reportagens de psicanalistas, psiquiatras e especialistas no assunto para tentar ajudar pais, professores e amigos a tratarem do assunto, eu resolvi colocar este resumo neste artigo e assim endereçar de forma melhor, como podemos nos unir e assim “erradicar” este mal que ameaça justamente o futuro do nosso planeta:

É normal adolescente ter depressão?

Especialistas explicam que existe um tipo de depressão típica da adolescência, mas que não necessariamente é uma doença ou transtorno mental. Ela faz parte dos processos de mudanças fisiológica e emocional da faixa etária dos jovens, quando as crianças fazem a transição para a vida adulta e, nesse período, passam pela busca da autonomia no mundo sem o apoio integral de seus pais, além de experiências de descoberta e conflitos relacionados ao autoconhecimento e à construção de sua identidade, definição da profissão, exploração da sexualidade etc.

Eu já identifiquei inúmeras vezes os jovens estarem perdidos e alguns até a chorarem, quando falamos em crenças (limitantes ou fortalecedoras), ou seja, no que o jovem acredita como verdade e é impressionante como eu vejo muito das crenças de seus pais instaladas nestes jovens. E quando eliminamos crenças que não agregam ao seu futuro na carreira, os jovens ficam perdidos e neste momento, em nosso programa de desenvolvimento de carreira, utilizamos técnicas e ferramentas do coaching para criar novas crenças fortalecedoras, que irão lhes guiar neste novo desafio.

Dá para diferenciar sintomas de depressão e da adolescência?

De acordo com especialistas, nem sempre, já que muitos deles são os mesmos.

Alguns dizem que pensam em se matar, mas todos os sinais são sinais típicos da adolescência: o jovem fica mais irritado, pode ganhar peso, pode perder peso, ficar apático. Qual é o adolescente que não apresenta um desses sintomas? Alguns suicidas escondem muito bem. A chave, segundo os especialistas, é manter um canal de diálogo aberto com os filhos, para que a observação seja mais eficaz (leia dicas mais abaixo).

Todo suicídio é um resultado da depressão?

Ainda segundo especialistas, a resposta é “não”, pois o suicídio é apresentado por vários quadros clínicos e às vezes não tem nada a ver com a depressão. Pode ser uma psicose – nesse caso, o sujeito não é deprimido. E às vezes a depressão é uma defesa contra o suicídio. Parece que não tem sentido, mas tem.

Alguns grupos de jovens também acabam ficando mais vulneráveis a desenvolver um quadro depressivo por questões sociais (incluindo as redes sociais virtuais). Uma pesquisa publicada em dezembro de 2017 analisou a resposta de 15 mil adolescentes no ensino médio sobre se eles já haviam considerado seriamente o suicídio, se já haviam planejado se matar ou se já haviam tentado tirar a própria vida.

On números são impressionantes – de acordo com este estudo, 40% dos adolescentes LGBTs consideraram seriamente o suicídio, 35% planejaram e 25% já tentaram se matar, contra 15%, 12% e 6% dos heterossexuais, respectivamente. Não é impressionante, como a pressão (pré-conceito) da sociedade sobre o homossexualismo é um fator predominante neste caso?

O suicídio então é resultado do quê?

Os especialistas divergem em relação aos processos que podem levar ao suicídio.

Alguns acreditam que é “uma cilada” ligar todos os casos de suicídio à depressão. Outros já acreditam que o suicídio é o ápice do que ela chama de “processo de morrência”, em que a pessoa “já está se sentindo desgostosa da vida, sem sentido, e vai definhando existencialmente”.

Se um suicídio acontece, de quem é a culpa?

Eu particularmente não acredito em culpa, ou seja, ninguém tem culpa. O que há são agentes responsáveis por estes acontecimentos. Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) dizer que a maioria dos suicídios poderia ter sido evitada se houvesse tratamento adequado, os especialistas evitam endossar esse discurso porque ele carrega uma ideia de culpabilidade.

Eu também acredito verdadeiramente que ninguém quer levar ninguém a ser um suicida, mas estes fatos que levam alguém a pensar em suicídio, tais como já citei, medo, anseio e angústia de frustrar um ente querido ou a si próprio, é um grande fator nestes casos.

É possível evitar o suicídio de alguém?

Está pergunta não tem uma resposta pronta. Os dados da OMS sobre suicídios que podem ser evitados são baseados em um estudo se debruçou sobre os detalhes de 15 mil suicídios e concluiu que, em 98% dos casos, a vítima tinha algum transtorno mental, o que indica que a morte poderia ter sido evitada caso a pessoa recebesse o tratamento adequado.

O que eu tenho visto em meus programas de desenvolvimento de carreira é que nós pais e educadores podemos auxiliar e muito estes jovens, muito antes de realmente se tornarem jovens. Minhas pesquisas mostram que podemos ser agentes transformadores de nossos filhos, desde a gravidez. Segundo Augusto Cury, uma gravidez traumática ou sem amor, já gera um novo ser com características a serem exploradas por este mal.

E mesmo bebês recém-nascidos, ao ouvirem palavras positivas ou invés das palavras negativas que proferimos sempre, também influenciarão este serzinho.

Faço aqui uma pausa para te contar um fato. Que talvez você desconheça. Em nosso vocabulário, temos cerca de 435.000 palavras e somente utilizamos cerca de 4.000 a 5.000 destas palavras, ou seja, nosso vocabulário é muito pobre. E o pior que que destas palavras, um pouco mais de 2.000 palavras são negativas e a metade são palavras positivas, não é a toa que proferimos mais palavras negativas do que positivas. Daí você já pode imaginar como instalamos crenças e maldições em nossos filhos sem nos darmos conta. Você já parou para pensar, quantas vezes alguém disse a uma criança:

Se você não estudar, vai ser burro a vida toda ou vai puxar carroça.
Você não pode ser sincero, senão irão pisar em você.
Lugar de mulher é na cozinha.
Homem não chora.
Não posso confiar nas pessoas, para que não quebrem minha confiança
Dinheiro não traz felicidade.

Tem muitas crenças limitantes que são instaladas em nós e sequer damos conta disso.

Voltando ao nosso tema deste artigo – Dá para prevenir o suicídio, mas não dá para prever. Prevenção é diferente de previsão.

Se não dá para prever, como posso preveni-lo?

Mais uma vez, os especialistas explicam que não existe uma receita pronta nesse caso, mesmo em se tratando de pessoas a quem acompanhamos o seu crescimento dentro da nossa própria casa. É uma tarefa realmente desafiadora identificar sinais de que um filho adolescente está sofrendo de uma angústia ou depressão mais profunda do que as típicas alterações dessa faixa etária.

É preciso avaliar mudanças de comportamento. E ver se nelas há sinais de que algo grave e não característico da idade está acontecendo. Um adolescente que veste roupas de manga comprida e capuz mesmo durante verões quentes não necessariamente está escondendo algo, mas os pais podem ficar atentos em busca de indícios de automutilação e cortes nos braços, pernas, barriga ou pescoço, por exemplo.

Há também uma necessidade deles, em encontrarem o estilo próprio. Porém, comece a prestar atenção: Se houver automutilação, já é um processo de quem está pedindo socorro.

Como posso prestar mais atenção a pequenos detalhes?

Em minhas pesquisas eu identifiquei quatro diferentes sinais comportamentais e verbais que podem ser apresentados de forma direta ou indireta. Vejamos abaixo:

COMPORTAMENTAIS DIRETOS

Tentativas de suicídio anteriores
Mudanças repentinas de comportamento
Ameaça de suicídio ou expressão/verbalização de intenso desejo de morrer
Ter um planejamento para o suicídio
Sinais observáveis de depressão
Oscilação de humor
Pessimismo
Desesperança
Desespero
Desamparo
Ansiedade, dor psíquica, estresse acentuado
Problemas associados ao sono (excessivo ou insônia)
Intensa raiva
Desejo de vingança
Sensação de estar preso e sem saída
Isolamento: família, amigos, eventos sociais
Mudanças dramáticas de humor
Falta de sentido para viver
Aumento do uso de álcool e/ou outras drogas
Impulsividade e interesse por situações de riscos

COMPORTAMENTAIS INDIRETOS

Desfazer-se de objetos importantes
Conclusão de assuntos pendentes
Fazer um testamento
Despedir-se de parentes e amigos
Casos extremos de irritabilidade, culpa e choro
Fazer carteira de doação de órgãos
Comprar armas, estocar comprimidos
Fazer seguro de vida
Colocar coisas em ordem
Súbito interesse ou desinteresse em religião
Fechar a conta corrente

VERBAIS DIRETOS

“Eu quero morrer.”
“Gostaria de estar morto.”
“Vou me matar.”
“Se isso acontecer novamente, prefiro estar morto.”
“A morte poderá resolver essa situação.”
“Se ele não me aceitar de volta, eu me matarei.”
“Quero sumir. Não aguento mais! Só morrendo mesmo para aguentar.”

VERBAIS INDIRETOS

“Se isso acontecer novamente, acabarei com tudo.”
“Eu não consigo aguentar mais isso.”
“Você sentirá saudades quando eu partir.”
“Não estarei aqui quando você voltar.”
“Estou cansado da vida, não quero continuar.”
“Tudo ficará melhor depois da minha partida.”
“Não sou mais quem eu era.”
“Logo você não precisará mais se preocupar comigo.”
“Ninguém mais precisa de mim.”
“Eu sou mesmo um fracassado e inútil. Tudo seria melhor sem mim.”

Como agir caso meu filho ou filha apresentar algum desses sinais?

A saída, é que os pais consigam se manter próximos dos filhos, construindo junto a autonomia que os jovens tanto precisam.

Um dos desafios dos jovens é poder se virar sem os pais. Como podemos respeitar isso e ao mesmo tempo conseguir ficar um pouco perto deles para saber o que está acontecendo? É um desafio que não tem receita pronta.

Quando a situação aparentar a necessidade de intervenção de um profissional, tal como um psicólogo, a recomendação da OMS é que as pessoas próximas procurem um momento de tranquilidade para conversar com o jovem sobre suicídio. O importante, nesse momento, é ouvir com a mente aberta e não oferecer julgamentos ou opiniões vazias. Só assim a pessoa se sentirá acolhida e a ajuda poderá surtir efeito.

Este é o meu desafio dentro do programa de desenvolvimento de carreira para jovens, estimulá-los a se conhecerem melhor, eliminar as crenças limitantes, empoderar as crenças poderosas, ajudar a identificar seus valores, suas habilidades e desta forma reescrever suas regras de vida.

Com um passo de cada vez, temos conseguido ajudar os jovens a se descobrirem e se abrirem para a VIDA e para suas CARREIRAS.

 

Erick Herdy é membro da plataforma ENGAGE for Business e vem desenvolvendo um trabalho como Coach de vida pessoal e profissional, além de desenvolver o processo de coach de carreira para jovens, idosos, mulheres e deficientes físicos. É formando no curso de MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e graduado em Tecnologia da Informação. É criador e CEO de empresas no segmento de Treinamento e Consultoria, atuando também como Executivo de Projetos Globais em empresas multinacionais. Atualmente é professor de diversos MBA’s e cursos de pós-graduação no Brasil.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s