Câmara de gás corporativa: como péssimos líderes podem arruinar as vidas de seus liderados

“E que Deus não me permita envelhecer sem coração. Já vi esse fenômeno mesquinho de perto e não desejo essa triste existência ou convivência a ninguém de bem”

Embora sempre tenha presumido que uma liderança insatisfatória representasse grande parcela do descontentamento dos colaboradores de uma empresa, apenas recentemente vi essa crença traduzida em números: 44% dos pedidos de demissão originam-se de uma liderança tóxica, segundo a pesquisa a que fui apresentado.

E nesse número estão apenas aqueles que foram suficientemente ousados para liberta-se do dissabor dessa convivência, que certamente é uma minoria.

Outro estudo, conduzido por pesquisadores da England’s University of Manchester’s Business School, concluiu que os líderes tóxicos, que muitas vezes detém traços narcisistas e com algum grau de psicopatia em seus comportamentos, favorecem um ambiente de trabalho contraproducente e mais sujeito a assédio moral.

Mas como identificar esse repulsivo espécime?

Segundo esses pesquisadores, um líder tóxico demonstra uma avidez por poder e, via de regra, carência de empatia, tendendo a uma grande propensão por impor-se em todas as situações. Não raro coloca-se em conflitos desnecessários e inúteis.

Uma forma prática de identificar se Você possui (ou é!) um líder tóxico é tentar observar algum dos comportamentos a seguir:

Esse Líder…

(i) assume exclusivamente (ou majoritariamente) para si os resultados dos trabalhos de outros e/ou da equipe?

(ii) ignora parte dos integrantes da equipe?

(iii) elege “preferidos” na equipe, que recebem todas as benesses possíveis em detrimento dos demais?

(iv) diante de problemas, procura culpados ao invés de soluções ?

(v) elege “culpados” e furta-se de sua parcela de responsabilidade nas questões?

(vi) em feedbacks, destaca quase que exclusivamente as falhas da equipe ou de parte dela, deixando de reconhecer suas virtudes?

(vii) semeia a discórdia entre os integrantes da equipe?

(viii) promove competições veladas que não beneficiam o resultado final?

(ix) não ouve ou não respeita as opiniões e/ou sugestões dos liderados?

(x) faz convites e sugestões inapropriados a alguns liderados, aproveitando de sua posição hierárquica?

(xi) microgerencia todo e qualquer trabalho delegado a equipe?

(xii) deixa a equipe sem retaguarda ou respaldo?

(xiii) impõe aos liderados ou os expõe a situações vexatórias?

A lista é longa; não se extingue nesses exemplos… E se Você identificou um ou mais comportamentos dela constantes, é possível que esteja exposto a (ou pior, seja!) uma Liderança Tóxica.

Lideranças tóxicas contaminam ambientes como uma pandemia. Adoecem liderados e fazem transbordar insegurança, stress, depressão e agressividade para as vidas pessoais e famílias dos colaboradores.

A depender do tempo de exposição, a lenta recuperação pode demandar dias, meses, anos e, em casos mais severos, nunca resultarem em uma verdadeira reabilitação.

Quando identificados tais casos, observei até hoje apenas duas soluções eficazes:

(a) a primeira é seguir o caminho dos 44% de pessoas que mencionei no início do artigo. Não é um caminho suave e muitas vezes não parece sequer possível, mas em geral é a única solução efetiva e apropriada; e

(b) a segunda é escancarar a situação para alguém que possa, ao menos em tese, solucioná-la (um superior, um par do líder dentre outros). Entretanto, o resultado final pode, em boa parte dos casos, ser idêntico à primeira solução.

Aceitar, porém, a submissão a uma liderança tóxica equivale a envenenar-se lenta e voluntariamente, até um dia em que Você perde sua verdadeira essência.

E tenha certeza que há vida para além do seu Líder Tóxico. Verdadeiramente, não há uma única Pessoa Jurídica que valha a a vida e a integridade mental de uma Pessoa Física.

Existem centenas – talvez milhares – de corporações e líderes bacanas por aí (tenho o privilégio de conhecer e trabalhar com diversos deles), loucos para ter gente de bem, feliz e motivada a seu lado. E com um pouco de procura e sorte, ninguém precisará sujeitar-se a uma Liderança nefasta e indevida.

 

Walter Nimir é membro da plataforma ENGAGE for Business, advogado especialista em direito do trabalho, com experiência de mais de 16 anos e passagens por escritórios de renome. Atua, desde 2016, como sócio responsável pelo departamento trabalhista de Zeigler e Mendonça de Barros Sociedade de Advogados, auxiliando empresas nacionais e estrangeiras de todos os portes a cuidar de sua gente. 

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