O mundo te respeitará na exata proporção em que você não tiver medo dele

Maquiavel faz da vida uma estratégia.

Mas o que quer dizer viver? É disponibilizar meios para se obter o que se deseja.

Desta forma… Alcançou? A vida foi boa. Não alcançou? A vida foi ruim.

Eu espero que você leve muito a sério Maquiavel, porque se você for trabalhar em qualquer empresa, saiba, isto é “só” o que importa.

A única diferença é que, o que se deseja não é, exatamente, o que “você” deseja.

O que se deseja é o lucro que você não vai comer.

Então, quando se inicia o ano, o seu chefe liga o PowerPoint. O PowerPoint é o cérebro dele deslocado para a parede. É muito bom, porque sem o PowerPoint ele não pensa, então basta desligar a eletricidade e acabou… A grande “vantagem” é você trazer o PowerPoint para sua cabeça, pois você já começa a se adestrar mais cedo à lógica dele, ao pensamento que cabe numa transparência, à lógica do fluxograma, às certezas das flechas.

Mas o que ele colocará no PowerPoint (o seu chefe)? Eu te dou 3 opções.

A primeira delas é: estamos aqui para sermos felizes! E sermos felizes é viver em harmonia com a natureza. Portanto, procure os seus talentos e veja se eles estão sendo adequados ao ambiente ao seu redor.

A segunda possibilidade é: estamos aqui, pois somos tementes a Deus e Ele quer para cada um de nós uma missão. Portanto, procure a missão que Deus tem para você e faça de tudo para alcançá-la, e você será feliz.

A terceira alternativa: nós temos que alcançar as metas que estão no PowerPoint e você será considerado bom funcionário se alcançá-las e será considerado um mal funcionário se não as alcançar. Se, porventura, você não as alcançar, você será substituído. Mas isso, provavelmente, seu chefe não te diga. Seria honesto demais para um chefe…

Pergunto qual das três?? Acho que você entendeu…

A “única” coisa que conta é alcançar o que espera-se seja alcançado. É “só” o que conta.

E a empresa fará de tal maneira que você faça do lucro, desejo do dono do capital, o seu desejo.

Esse é o golpe de violência simbólica que faz com que você passe a perseguir desejantemente um dinheiro que não é seu.

E para isso eles vão te dar camiseta, panetone, brindes… Vão te fazer membro de uma comunidade, vão te dar até promoções, um pouquinho mais de salário… enfim, coisas irrisórias se comparadas àquilo que você proporciona ao seu chefe.

Mas a empresa é mágica neste quesito.

Ela fará com que você ame o seu chefe. Ela fará com que você considere o dono do capital um semideus, um indivíduo iluminado, alguém que “saiu do nada”, alguém que teve uma vida difícil, alguém que foi espetacular e que, graças à sua genialidade incomensurável, fez um império aonde você hoje se sente abrigado.

Na hora em que você for a um bar falar de você, a primeira coisa que você vai dizer é que você trabalha na empresa tal, e que você tem orgulho de ser da empresa tal, que você é a própria empresa tal… E, no meio da conversa, você dirá: “Nós estamos construindo um prédio novo em tal lugar…”….. Ha ha ha ha….. E aí a empresa tal já é você… e isso é bem bacana!

Você, que nunca se enxergou muito bem, que nunca soube muito bem quem é, você que nunca teve a autoestima elevada, agora tem algo a dizer sobre você… Você “é” a empresa tal.

E, aí, todo sacrifício é válido para poder ser alguma coisa.

E você, empedernidamente, você vai puxar o tapete dos outros, você vai ser sacana, vi ser escroto, vai lutar por promoções, vai ser indigno, vai denunciar, fofocar, mentir em nome do quê? Em nome do capital, em nome do lucro, para que o seu chefe consiga um dinheiro que você nunca vai alcançar.

E você, então, no final da vida, depois de 30 anos perseguindo metas e exaurindo a sua energia, receberá uma placa da empresa dizendo: “Muito obrigado!”. E continuará… Você nos enriqueceu. E agora que você não tem mais energia, receba esta placa em agradecimento. Não vá morrer imediatamente, porque a gente te deu uma previdência privada que vai te permitir viver mais uns anos na depressão. Porque, se você “era” a empresa, e você agora está fora, você já não é mais nada. Muito obrigado, você é um bagaço sem suco. Enquanto você foi resiliente, você tinha o seu suco espremido, e recuperava o suco.

E, permita-me um parênteses, isso é o que você tem que dizer no processo seletivo… “Eu sou resiliente!”.

A imagem é a do joão-bobo.

O resiliente na Física é aquela substância que, quando submetida a um forte efeito ou pressão, retoma sua forma original no prazo mais curto possível.

É o que se deve esperar de um idiota chamado “colaborador”. Aquele que é humilhado, extorquido, arrancado seu suor e, no dia seguinte, ele está lá de banho tomado, dente escovado, e feliz por pertencer à família da empresa.

Mas, então, qual é a sugestão? Eu falo, falo, falo… meto o pau. E daí?

Daí que é muito diferente você jogar o jogo feito um tonto e ficar super feliz por quê ganhou uma geladeira no final do ano em um sorteio e jogar o jogo com lucidez.

Mas o que que é jogar o jogo com lucidez?

É dizer, tudo bem eu vou buscar a sua meta! Este é o jogo… Eu estou tendo o meu trabalho explorado por conta do lucro. É assim que funciona, e eu tenho consciência disso. Porém, eu não posso abrir mão de toda a minha existência em nome disso.

Então eu quero, aqui dentro, instantes que não sejam voltados apenas para o lucro. Instantes, por exemplo, de felicidade que, por definição é aquilo que vale por si só. Enquanto que a busca do lucro é essencialmente uma busca instrumental e, portanto, infeliz.

Então vamos inventar alguma coisa… um teatro, um coral, uma atividade qualquer. Por quê? Porque tudo bem, eu vou buscar a sua meta, é a regra do jogo. Eu estou vendendo o meu trabalho por conta de um salário para buscar a sua meta. Eu tenho consciência disso, mas só isso não rola não.

E você sabe que mesmo os empresários mais lúcidos começam a se dar conta que é preciso oferecer um pouco mais que o pragmatismo para a vida ser suportável, pois há um grande problema trabalhar com um idiota.

Num primeiro momento pode ser ótimo. Ele faz tudo o que você quiser, o que você precisar. Mas o idiota é incapaz de inovar, é incapaz de fazer diferente, é incapaz de encontrar soluções novas, porque ele tem medo. Medo de ser demitido.

Eu te digo uma coisa, do fundo da alma… só existe um sentimento dentro da empresa que importa: é o medo! As pessoas são regidas pelo medo! Elas estão engessadas. Elas estão proibidas de rir e elas só se sentem autorizadas a rir quando o chefe ri. Há um engessamento porque, de uma certa maneira, a dependência econômica as torna covardes. Covardes!

O sistema é assim. Compraram a tua vida. E compraram a tua vida exigindo de você faca nos dentes, sangue no olho e 24 horas de disponibilidade.

Ontem mesmo, conversava com uma senhora de idade secretária há 25 anos de um fodão aí. E ela dizia: “Ah, o Sr. Tal exige de mim 24h, 7 dias por semana. Eu tenho que estar 24h com o celular ligado.”.

E você olha para a pessoa e fica na expectativa dela manifestar alguma revolta ou uma incompreensão. Mas, pelo contrário! “Ainda bem que é assim. Porque é sinal que ele precisa de mim. E, enquanto ele precisar de mim, eu tenho alguma razão de existir.”.

Aí eu perguntei, como quem não quer nada… Deixa eu ver se eu entendi. Se a sua razão de existir está no fato dele precisar de você, quer dizer que a sua razão de existir depende de uma variável que você não controla. Porque, no dia que ele não precisar de você, por exemplo, no dia que ele encontrar alguém mais jovem, ou uma máquina, ou alguma outra coisa para pôr no seu lugar, ele deixará de precisar de você e você deixará de ter uma razão de existir. Nossa… como é frágil a sua razão para existir… Ela está na iminência de deixar de existir!

Mas, falando assim, você está me deprimindo, você pode pensar…

Não! Eu estou mostrando a importância do pensamento de Maquiavel.

E vou te dizer uma coisa, como se eu estivesse num bar… Isso tudo é decorrência do pensamento de Maquiavel. Decorrência direta!

Não fique na mão das pessoas! TENHA UM PLANO B!

Essa coisa de full-time, dedicação exclusiva, você é todo nosso… O que é tudo o que um patrão quer ouvir, já que o que ele quer é te dominar… Você até pode dizer para ele, mas minta!

TENHA UM PLANO B!

Não ponha todos os ovos na mesma cesta, porque vão pisar nos seu ovos.

O mundo te respeitará na exata proporção em que você não tiver medo dele.

As pessoas te respeitarão na exata proporção em que você puder encará-las, por que tudo é só uma relação de forças. E enquanto você for subserviente, full time, dedicação exclusiva, etc… essas pessoas serão objeto das mais fervorosas injustiças. Serão demitidos impiedosamente.

Não espere a generosidade dos outros.

Não é pela generosidade que o homem se destaca.

O homem é desejante… se ele precisar mandar você embora para alcançar as suas metas, ele não hesitará.

TENHA UM PLANO B NA MANGA! TENHA UM PLANO B! E, de preferência, um plano C.

Mas daí, você dirá… Ah, mas o B e o C são menos filhos da puta que o A?

Não!! Eles são igualmente ruins. Mas como são vários, o que acontece? Se você der um cuspe na cara de um, você vai para o outro. Porque, de novo, só te respeitarão se tiverem um pouco de medo de você. Não tem essa… Não tem essa…

De fato, a tal secretária tinha um pouco de razão. “Eu fico tranquila, porque ele precisa de mim.”. Assim funciona na necessidade. É frágil, pois ele pode deixar de precisar. A tecnologia tem avançado muito. A máquina tem substituído o homem em quase tudo. Ele pode, mesmo, deixar de precisar. Mas, pelo menos, ela entendeu bem. “Ele não fica comigo porque ele gosta de mim. Fica comigo, porque ele precisa.”. Mas ele pode deixar de precisar.

Sabe, a mão de obra é abundante, as pessoas têm mais um menos as mesmas competências. O que você sabe, meio que qualquer um sabe. Portanto, para te trocar, serão precisos apenas 2 palitos, razão pela qual é conveniente que você não seja trouxa, que você se dote de mecanismos para poder não deixar-se enrabar sistematicamente.

Assim funciona. Ouça-me, tem toda a pertinência. Toda a pertinência.

É claro que você está lendo isso um pouco desconfiado e um tanto entristecido. Talvez você não tenha, ainda, experiência para comprovar. Mas você se lembrará…. eu juro que se lembrará. Na primeira reunião na sua empresa, quando o chefe ligar o PowerPoint, você vai se lembrar de mim…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s