Humanização em tempos de Big Data: o papel do executivo nas decisões estratégicas

A Curva de Gartner para avaliação das novas tecnologias é bastante útil em nosso cenário atual. Após o “Peak of Inflated Expectations”, em que a expectativa sobre uma nova tecnologia torna-se quase unânime e atinge o seu clímax, a estabilização natural de sua aplicabilidade é esperada. A partir de então, um padrão de mercado passa a ser composto e a nova tecnologia apresenta sua usabilidade num patamar intermediário, entre a alta expectativa e o ceticismo.
Em tempos de Big Data Research Analytics e IoT, o poder da decisão parece ter sido terceirizado para a Inteligência Artificial, como se as decisões dentro de uma empresa cheia de pessoas fossem iguais às decisões de um jogo de xadrez, com a avaliação instantânea de um IBM Watson ou similar. Este é o estado eufórico, ou o pico das expectativas.
Neste contexto, o papel e a experiência do Executivo passam a exercer protagonismo fundamental, o que parece até um paradoxo. Já se passou o tempo da escassez de informação para decisão e chegou o tempo do excesso de informação para decidir. Em ambos cenários, o papel do Executivo sobressai. Tão crítico quanto decidir somente no “feeling” (com poucas informações) é decidir com excesso de informações, quando a conclusão final deve ser obtida em pouco tempo e, muitas vezes, este tempo é consumido na leitura das “n” outras conclusões.
Um famoso professor de Estatística já me dizia: “desconfie dos dados óbvios e dos ‘outliers’. Olhar com a experiência, inteligência e significado é tão importante quanto gerar as melhores correlações de informações”.
Por meio de várias interações com o IBM Watson Analytics, aprendi que se trata de uma plataforma absolutamente amigável, que dá ao usuário a prerrogativa de se gabar de uma infindável forma de cruzamento de dados, mesmo que o usuário não seja exatamente fluente no tema.
Comparável às plataformas atuais, o IBM Watson Analytics é o que melhor se aproxima de um público usuário não especializado, com viés de CRM e não de construção de modelos. Isso tudo com preço acessível. Entretanto, os diversos cases desenvolvidos por meio desta plataforma, ainda que sob o rótulo da sua vantagem cognitiva ou sua vocação para decisão instantânea, em absoluto substituem a avaliação Executiva sobre seus resultados.
Assim como a impressora 3D encontrará o seu “Plateau” de utilização e não substituirá uma entrega de pizza em domicílio pela impressão desta (!) – ainda que a entrega possa ser via drone – o Big Data encontrará seu lugar, como uma forma mais inteligente de decidir, mas com as fronteiras da Regulamentação sobre ele e das capacidades Executivas de aplicar suas conclusões nos ambientes humanizados de nossas organizações.
E, ainda que nossas organizações se robotizem totalmente no futuro, ainda assim a experiência e a capacidade do Executivo serão necessárias para seu próximo desafio, aquele em que a “mão invisível da Economia” apontar como destino.
Tiago Zequi de Oliveira é membro do Grupo ENGAGE, Mestrando em administração de empresas pela EAESP/FGV e Advisor de negócios nas áreas de Dados e Analytics. Tem 22 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais: Cetip (B3), Serasa Experian, Itaú-Unibanco e IBM, em áreas relacionadas a negócios e estratégia. Participou de dezenas de projetos estratégicos entre eles, a cisão da Credicard, criação de bureau de dados em parceria com empresas americanas, distribuição de serviços globais de dados e fusão e aquisição no segmento.

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