Em busca do jornalismo ético

A imagem da ética no jornalista é a de grande número de pessoas, obviamente inteligentes, discordando, honestamente, de muitos padrões, metas e procedimentos éticos.

Há acordo quanto à meta de precisão e imparcialidade do noticiário e quanto ao princípio da separação da informação, opinião e publicidade, mas isso é praticamente tudo.

Existe até desacordo quanto ao que constitui uma questão ética ou moral no setor. Alguns acham que a ética é meramente uma questão de evitar as ofertas grátis e os conflitos de interesses. A verdade de visões relativas ao que é ou não é o problema ético tem colocado os jornalistas em dificuldades, ao tentar entender a ética da profissão.

Os códigos de ética adotados pelas organizações de ideais e aspirações, o que é, mais ou menos, o máximo a espera de um setor que tanto gosta de estocar liberdade e individualismo. Como tal, os códigos nacionais têm sido úteis para levar muitos jornalistas a pensar sobre os objetivos do jornalismo.

Muitas organizações, porém, desistiram de colocar no papel seus códigos de ética para o pessoal, muitas vezes por medo de que esses códigos sejam apanhados por gente de fora, particularmente por juízes, e aplicados como norma para todos os jornalistas. Este receio tem aumentado em função da história recente das agressões judiciais contra a imprensa, notadamente nos Estados Unidos.

Alguns editores e diretores de jornais evitam deliberadamente colocar no papel seus padrões éticos porque acreditam que o comportamento ético se aprende melhor com os outros, com os modelo seguidos nas redações. Mas, os jovens jornalistas (focas) precisam saber, em termos claramente declarados, o que as suas organizações e o jornalismo em geral consideram como comportamentos éticos e aéticos.

Os jornalistas e o público precisam reconhecer que a natureza do negócio no jornalismo afeta sua ética. A necessidade da mídia ganhar audiências que possam ser vendidas para os anunciantes limita a liberdade dos editores em determinar seu conteúdo. Portanto, as coisas que a mídia noticiosa tem de fazer para sobreviver como negócio vão afetar não apenas a sua tecnologia e seus procedimentos, mas também seus princípios éticos.

Ao reconhecer os prós e os contras que funcionam no jornalismo, o público não deve presumir que os jornalistas perderam o controle do processo noticioso. É claro que não perderam. Os jornalistas, mesmo aqueles que trabalham para as corporações gigantescas, parecem ter uma surpreendente liberdade, especialmente no Brasil, principalmente se comparado a outros países, tanto de língua inglesa quanto de língua espanhola.

A filosofia de que não devem interferir nas redações de que são proprietários, parece dominar o pensamento de quase todos os administradores e proprietários dos meios de comunicação, a fim de não causar conflitos de interesses. No entanto existe ainda desacordo a respeito do que constitui um conflito de interesses e se os conflitos devem ser evitados por todos os que possuem ou trabalham nos meios de comunicação ou apenas por aqueles que trabalham nos departamentos de reportagem.

O que é necessário para se ter ética no jornalismo é uma série de princípios, baseados em um jornalismo que sirva ao público, procurando agressivamente e relatando o que for, tanto quanto possível, a verdade, a respeito de acontecimentos e condições que preocupam o público, um jornalismo que colete e trate as informações com honestidade e imparcialidade, e trate, ainda, o público envolvido com certa compaixão. E nada mais.

 

Paulo Pandjiarjian é membro do Grupo ENGAGE e um profissional com mais de 25 anos de experiência, formado e especializado em jornalismo, fluente em inglês e com bons conhecimentos em espanhol. Ele vem desenvolvendo suas expertises em Relações Institucionais e Governamentais e Comunicação Corporativa – Interna e Externa – em áreas como Vendas e Marketing, Varejo, Educação Profissional, Comércio Exterior, Veículos de Comunicação e Executive Search. Participou de projeto internacional, com presença de mais de 60 países, desenvolvendo uma visão abrangente de multiculturalismo. Possui bom trânsito nas esferas de Governo, em todos os seus níveis – federal, estadual e municipal. Liderou e motivou equipes a se comprometer com resultados, elegendo competência e ética como lemas. Cerimonialista, conhece bem os desafios do Protocolo governamental.

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